Margem consignável: o que muda além do percentual da sua renda?
Margem consignável é a parte da sua renda que pode ir, todo mês, para parcelas descontadas direto da folha ou do benefício. Quanto ela vale depende de quem paga a sua renda: no INSS, 45% do benefício (35% para empréstimos, 5% para o cartão de crédito consignado e 5% para o cartão consignado de benefício); para quem tem carteira assinada, até 35% do salário; para servidores, depende do ente, e na União o total é de 45%. Você consulta a sua no Meu INSS, na Carteira de Trabalho Digital ou no sistema do seu órgão, de graça, e vale fazer isso antes de ouvir qualquer proposta.
Quanto vale a margem em cada caso
| Quem | Margem total | Detalhe | Onde consultar |
|---|---|---|---|
| Aposentado ou pensionista do INSS | 45% do benefício | 35% empréstimos; 5% cartão de crédito consignado (RMC); 5% cartão consignado de benefício (RCC) | Meu INSS |
| Beneficiário do BPC | 35% do benefício | 30% empréstimos; 5% para cartão consignado | Meu INSS |
| Empregado com carteira (Crédito do Trabalhador) | 35% do salário | Horas extras e outras parcelas variáveis ficam fora da base | Carteira de Trabalho Digital |
| Servidor federal | 45% da remuneração | 5% cartão de crédito; 5% cartão consignado de benefício; o resto para as demais consignações | SouGov.br |
| Servidor estadual ou municipal | Definida por cada ente | Varia | Portal ou RH do órgão |
Os percentuais do INSS e do BPC estão na lei do consignado; a divisão em três fatias no INSS veio da Lei 14.431/2022. A dos servidores federais vem de uma norma federal aprovada em 2022, e a do trabalhador com carteira é a informada pelo Ministério do Trabalho para o Crédito do Trabalhador. Se você ouviu falar em redução da margem do INSS para 40%: a Medida Provisória 1.355/2026 previa isso, mas perdeu a validade em 31 de agosto de 2026 sem virar lei, e voltou a valer a regra de 45%.
Um exemplo com o benefício do INSS
Com um benefício de R$ 2.000, a margem para empréstimos é de R$ 700 por mês, e cada cartão consignado pode usar mais R$ 100. Se já existe um empréstimo com parcela de R$ 450, sobra margem livre de R$ 250.
Suponha juros de 1,5% ao mês em 60 parcelas: uma parcela de R$ 250 permite receber cerca de R$ 9.540, já com o IOF financiado, e o total devolvido é de R$ 15.000. Se a mesma pessoa usasse os R$ 700 inteiros, receberia cerca de R$ 26.714 e devolveria R$ 42.000 ao longo de cinco anos, sem nenhuma folga para outra necessidade.
A taxa real depende da instituição e não pode passar do limite fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Para o empréstimo consignado do INSS, o quadro mostra a menor taxa, a mediana e a maior entre as instituições na última semana publicada pelo Banco Central:
- Menor taxa
- 1,51% ao mês
- Mediana do mercado
- 1,78% ao mês
- Maior taxa
- 2,18% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 37 instituições, semana encerrada em 15 de outubro de 2026. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar. Ranking completo por instituição.
Como consultar a sua margem
Aposentados e pensionistas do INSS
- Entre no Meu INSS, pelo aplicativo ou pelo site, com a conta gov.br.
- Procure o extrato de empréstimos consignados. Ele mostra a margem livre para empréstimo e para cada cartão, os contratos ativos, a instituição de cada um e o valor das parcelas.
- Confira se todos os contratos são seus. Um desconto que você não reconhece deve ser contestado na instituição que aparece no extrato e registrado no consumidor.gov.br.
Trabalhadores com carteira assinada
A consulta e a contratação do Crédito do Trabalhador são feitas no aplicativo Carteira de Trabalho Digital, sem convênio entre a empresa e o banco (Lei 15.179/2025). É lá que você pede propostas, autoriza as instituições habilitadas a ver nome, CPF, salário e tempo de empresa, e acompanha as parcelas descontadas mês a mês. O RH não precisa intermediar.
Servidores públicos
Servidores federais consultam no SouGov.br. Servidores estaduais e municipais usam o portal do servidor do próprio ente ou pedem ao setor de pessoas do órgão.
Por que a margem de empréstimo e a do cartão não se misturam
No INSS, cada fatia só pode ser usada para o seu fim. Ter os 35% de empréstimo ocupados não impede o cartão consignado, e o contrário também vale. É comum alguém achar que está sem margem quando o que está ocupado é só a fatia do cartão.
A diferença importa porque os produtos são diferentes. No cartão de crédito consignado (RMC), o desconto em folha paga só o valor mínimo da fatura; o restante fica para você pagar e, se não for pago, vira saldo com juros. O cartão consignado de benefício (RCC) funciona do mesmo jeito, com benefícios agregados. Nenhum dos dois é o empréstimo consignado mostrado no quadro de taxas acima.
Bloqueio e cuidados com a margem livre
No Meu INSS dá para bloquear o benefício para novas contratações de consignado. É a proteção mais eficaz contra contrato feito em seu nome sem autorização. Para desbloquear quando você de fato quiser contratar, o Meu INSS exige reconhecimento biométrico.
Quem tem carteira assinada também tem esse direito: a lei do consignado garante ao empregado pedir, a qualquer tempo, o bloqueio de novos descontos. Os descontos já autorizados continuam.
Por fim, não use a margem toda só porque ela está disponível. Margem livre é crédito barato guardado para uma emergência; gasta de uma vez, a próxima necessidade vai para o cheque especial ou o rotativo, que custam várias vezes mais. Para decidir quanto da renda comprometer, veja quanto do salário comprometer com parcelas; para comparar o consignado com o pessoal, empréstimo pessoal ou consignado.