Quitar a fatura com empréstimo: o número que decide a conta
Quitar a fatura do cartão com um empréstimo vale a pena quando o custo total do empréstimo, medido pelo CET, é menor que o do parcelamento oferecido pelo próprio cartão e a parcela cabe no seu orçamento. Como o rotativo e o parcelamento da fatura costumam estar entre os créditos mais caros para pessoa física, a troca muitas vezes compensa, mas não sempre. Desde julho de 2024 existe uma terceira saída, a portabilidade do saldo da fatura para outra instituição. E uma dívida antiga pode já estar perto do teto de juros, situação em que trocar por um empréstimo novo sai mais caro.
Exemplo: dívida de R$ 3.000 em 12 vezes
Suponha uma dívida de R$ 3.000 na fatura e três propostas em 12 parcelas: o parcelamento do próprio cartão a 8% ao mês, uma portabilidade a 5% ao mês e um empréstimo pessoal a 4% ao mês. As taxas servem só para o exemplo; as do mercado aparecem mais abaixo.
| Proposta | Parcela | Total pago | Juros |
|---|---|---|---|
| Parcelamento da fatura | R$ 398,09 | R$ 4.777,02 | R$ 1.777,02 |
| Portabilidade da fatura | R$ 338,48 | R$ 4.061,71 | R$ 1.061,71 |
| Empréstimo pessoal | R$ 319,66 | R$ 3.835,88 | R$ 835,88 |
Nesse exemplo, o empréstimo economiza R$ 941,14 em relação ao parcelamento da fatura. O IOF muda um pouco a conta: no empréstimo, com o imposto financiado junto, a parcela passa para cerca de R$ 326,35. Por isso a comparação certa é pelo CET de cada proposta, que soma juros, IOF, tarifas e seguros, e não só pela taxa de juros. A instituição é obrigada a informar o CET antes da contratação; o passo a passo para comparar está em como comparar o CET.
Para ver quanto custa o parcelamento com a taxa do seu cartão, e se a conta bate no teto legal, use a calculadora:
Rotativo ou parcelamento da fatura?
Não inclui IOF, multa nem juros de mora. O rotativo só pode ser usado até o vencimento seguinte; depois, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento. A Lei 14.690/2023 limita juros e encargos do rotativo e do parcelamento a 100% do valor original da dívida. Taxas sugeridas: mediana do mercado na semana encerrada em 15 de outubro de 2026, segundo o Banco Central. Troque pela do seu contrato.
A portabilidade da fatura: a terceira saída
Desde 1º de julho de 2024, outra instituição pode quitar o saldo da sua fatura, somando rotativo e parcelamentos, e transformá-lo numa única operação com prazo e parcelas fixas (Res. CMN 5.112/2023). Diferente do empréstimo, o dinheiro não passa pela sua conta: vai direto para o emissor do cartão, e você não corre o risco de gastá-lo em outra coisa. O banco de origem não pode cobrar pela transferência. Se quiser segurar você, pode fazer uma contraproposta, que tem de incluir uma opção com o mesmo prazo da oferta concorrente. A portabilidade não vale para cartão consignado.
Antes de pedir propostas, solicite ao emissor do cartão o Documento Descritivo do Crédito. Ele mostra o saldo, as taxas, o valor original da dívida e quanto ainda pode ser cobrado de juros e encargos até o teto. O caminho do pedido está em portabilidade de crédito.
Quando a troca não compensa
Quando a dívida já está perto do teto. Juros e encargos do rotativo e do parcelamento, somados, não podem passar do valor original da dívida (Lei 14.690/2023). Suponha uma dívida que começou em R$ 3.000, já teve R$ 2.700 de juros e encargos cobrados e tem R$ 1.500 de saldo. Pelo teto, ela só pode render mais R$ 300 de juros. Um empréstimo de R$ 1.500 em 12 vezes a 4% ao mês, outra taxa de exemplo, cobraria R$ 417,94 de juros. Aqui, trocar sai mais caro do que continuar pagando o parcelamento. O número que decide está no Documento Descritivo do Crédito.
Quando a parcela só cabe com prazo longo. Esticar o prazo baixa a parcela e aumenta o total pago. Antes de assinar, confira quanto da sua renda já está comprometido com outras parcelas; o critério está em quanto do salário comprometer com parcelas. Se não houver parcela que caiba, renegociar com o emissor é melhor que trocar uma dívida que você não paga por outra que também não vai conseguir pagar.
Quando vêm seguros e tarifas embutidos. O seguro prestamista é opcional, e o banco tem de oferecer o empréstimo sem ele; veja se o seguro prestamista é obrigatório. Um empréstimo com taxa menor pode ter CET maior por causa desses itens.
Taxas de mercado para comparar com a sua proposta
Os blocos mostram a menor taxa, a mediana e a maior da última semana publicada pelo Banco Central, já com encargos. Parcelamento da fatura do cartão:
- Menor taxa
- 1,14% ao mês
- Mediana do mercado
- 8,63% ao mês
- Maior taxa
- 19,49% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 60 instituições, semana encerrada em 15 de outubro de 2026. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar. Ranking completo por instituição.
Empréstimo pessoal sem consignação:
- Menor taxa
- 1,17% ao mês
- Mediana do mercado
- 5,47% ao mês
- Maior taxa
- 21,39% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 79 instituições, semana encerrada em 15 de outubro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar. Ranking completo por instituição.
As duas faixas podem se sobrepor: o empréstimo de uma instituição pode sair mais caro que o parcelamento de outra. Se a proposta que você recebeu está acima da mediana, peça outras antes de decidir; o caminho está em como saber se a taxa está alta.
Depois de quitar, o limite volta inteiro
Quando a fatura é quitada com dinheiro do empréstimo, o limite do cartão é liberado de novo. O risco é usar esse limite e terminar com duas dívidas: a parcela do empréstimo e uma fatura nova. Se você não confia que vai resistir, peça a redução do limite: o emissor tem de atender o pedido em até dois dias úteis (Res. BCB 96/2021). Para voltar a subir depois, ele precisa da sua concordância a cada aumento.