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Cartões

Cartão adicional: quando vale a pena e quando é cilada?

Imagem ilustrativa do artigo: Cartão adicional: quando vale a pena e quais os riscos

O cartão adicional vale a pena quando você quer concentrar na sua fatura os gastos de alguém em quem confia, como filho, cônjuge, pai ou mãe, e consegue pagar essa fatura inteira todo mês. O risco é todo do titular: o adicional usa o seu limite, a dívida é sua e, se a fatura não for paga, os juros e a negativação caem no seu CPF. Para quem recebe o cartão, ele resolve o meio de pagamento, mas não cria histórico de crédito próprio, porque o contrato é do titular. Se o objetivo é que a pessoa construa o próprio crédito, o caminho é outro.

De quem é a dívida e de quem é o limite

O adicional é um segundo cartão, em nome de outra pessoa, ligado à sua conta. Todas as compras feitas com ele entram na sua fatura e consomem o seu limite. Para o emissor existe um devedor só, o titular: o aplicativo pode separar os gastos por cartão, mas a cobrança é uma. Em geral não há análise de crédito de quem recebe o adicional, justamente porque essa pessoa não assume a dívida.

Daí vêm dois efeitos práticos. Um gasto grande no adicional pode deixar você sem limite para uma emergência. E, se a fatura atrasar, quem é cobrado e negativado é você, mesmo que a compra tenha sido feita pela outra pessoa e mesmo que ela tenha prometido pagar a parte dela.

Exemplo: quando o gasto passa do combinado

Suponha um titular com fatura de R$ 2.500, dos quais R$ 900 são compras do adicional acima do que tinha sido combinado. Ele consegue pagar R$ 1.600 e deixa R$ 900 no rotativo. Com juros de 14% ao mês, taxa usada só para o exemplo, a fatura seguinte traz R$ 126 de juros sobre esse saldo, mais IOF. Se o saldo não for quitado até o vencimento seguinte, ele sai do rotativo e vai para um parcelamento, e juros e encargos somados podem chegar a R$ 900, o próprio valor da dívida, antes de o teto da Lei 14.690/2023 travar a conta. Os detalhes estão em como funciona a fatura do cartão.

A conversa sobre quem paga o quê precisa acontecer antes de entregar o cartão, e o limite do adicional deve ser o valor que você pagaria sozinho, sem aperto, se a outra pessoa não devolvesse nada.

Os controles que valem a pena configurar

  • Limite próprio para o adicional. Vários emissores deixam o titular definir no aplicativo um teto de gasto para cada adicional. Configure antes de entregar o cartão.
  • Aviso de cada compra. Ative as notificações das compras do adicional; você vê o gasto na hora, e não só quando a fatura fecha.
  • Bloqueio e cancelamento. O titular pode bloquear ou cancelar o adicional pelos canais do emissor. As compras já feitas, inclusive as parceladas, continuam na sua fatura até a última parcela.
  • Cartão virtual para compras on-line. Quando o emissor oferece, o adicional pode ter cartão virtual próprio, que você apaga depois do uso; veja o que fazer com cartões perdidos ou clonados em segunda via e bloqueio de cartão.

Adicional para filho: o que ele aprende e o que não ganha

Para um filho jovem, o adicional ensina a usar cartão com supervisão: ele vê o valor de cada compra, e você acompanha. A idade mínima é definida por cada emissor; confira no aplicativo. O que o adicional não faz é registrar um histórico de bom pagador no CPF do filho, porque a fatura e o contrato continuam sendo seus. O histórico dele começa quando ele tiver um cartão ou outro crédito no próprio nome; o que pesa nessa aprovação está em como conseguir o primeiro cartão.

Se a ideia é dar autonomia sem pôr o seu limite em jogo, uma conta no nome do filho, com cartão de débito ou pré-pago e Pix, faz o mesmo papel de meio de pagamento, quando o banco oferece esse tipo de conta para a idade dele. O gasto fica limitado ao saldo que você depositar.

Anuidade, pontos e o que acontece se o titular morrer

Alguns cartões cobram anuidade separada por adicional. Confira na tabela de tarifas antes de pedir e compare com o que você ganha. Se o cartão tem pontos ou cashback, as compras do adicional em geral somam na conta do titular, o que só compensa se o ganho for maior que a anuidade extra. Exemplo: com anuidade de R$ 120 por ano no adicional e R$ 800 por mês de gastos nele com 1% de cashback, o retorno é de R$ 96 por ano, menos que a tarifa. Nesse caso, o adicional só vale pelo controle dos gastos, não pelo benefício. Como funcionam os programas está em programa de pontos.

Se o titular morre, o emissor deve ser avisado para cancelar o cartão e os adicionais. A fatura em aberto é cobrada do espólio: a herança responde pelas dívidas do falecido, e os herdeiros não pagam além do que receberam (Código Civil, arts. 1.792 e 1.997). Quem usava o adicional não herda a dívida em nome próprio e não deve continuar usando o cartão.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou análise de crédito. Condições, taxas e disponibilidade são definidas pela instituição financeira e podem mudar.