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Cartões

Cartão com cashback: quanto é preciso gastar para valer a pena?

Imagem ilustrativa do artigo: Cartão com cashback: como avaliar se compensa

Um cartão com cashback e anuidade compensa quando o dinheiro que ele devolve a mais, em relação ao melhor cartão sem anuidade que você conseguiria, paga a anuidade. A conta certa usa essa diferença: anuidade por mês dividida pela diferença entre os percentuais de cashback. Exemplo: um cartão devolve 1% e cobra R$ 360 por ano, ou R$ 30 por mês; outro, sem anuidade, devolve 0,5%. O primeiro só empata com gastos de R$ 6.000 por mês (R$ 30 divididos por 0,005). Comparar com um cartão que não devolve nada daria R$ 3.000, metade do valor certo, porque ignora que o cartão grátis também devolve dinheiro.

A conta com quatro níveis de gasto

Veja o resultado por ano dos dois cartões do exemplo, já descontada a anuidade:

Gasto por mês Cartão A: 1% e anuidade de R$ 360 Cartão B: 0,5% sem anuidade Quem ganha
R$ 1.500 R$ 180 negativos R$ 90 B, por R$ 270
R$ 3.000 R$ 0 R$ 180 B, por R$ 180
R$ 6.000 R$ 360 R$ 360 Empate
R$ 8.000 R$ 600 R$ 480 A, por R$ 120

Os cartões A e B são hipotéticos: troque pelos números dos cartões que você está comparando. Se a anuidade tem isenção por gasto mínimo, refaça a conta com a anuidade que você de fato pagaria. Se o cartão A isentasse a anuidade para quem gasta a partir de R$ 3.000 por mês, por exemplo, nesse patamar ele passaria a devolver o dobro do B: R$ 360 contra R$ 180 por ano.

Para chegar ao seu gasto mensal, some as últimas seis faturas, tire as compras fora do comum e as que o regulamento exclui do cashback, e divida por seis. Use o gasto que você já tem, não o que teria de criar para bater a meta: gastar mais para ganhar cashback é perder dinheiro com desconto.

De onde vem o dinheiro do cashback

A cada compra no cartão, a loja paga uma taxa à credenciadora, a empresa da maquininha. Parte dessa taxa vai para o emissor do seu cartão, como tarifa de intercâmbio, e é dessa receita, somada às outras que o cartão gera, que sai o cashback. No crédito, o intercâmbio não tem teto. No débito e no pré-pago, o Banco Central limita o intercâmbio a 0,5% e 0,7% de cada compra, respectivamente, desde abril de 2023 (Res. BCB 246/2022). Isso limita quanto um emissor consegue devolver no débito e no pré-pago.

Na prática, isso significa que o percentual de cashback depende da receita que o emissor tem com o cartão, e não de generosidade. Se um cartão anuncia um percentual alto, procure onde está a contrapartida: anuidade, teto mensal ou regras de resgate mais restritas, como mostra a próxima seção.

As regras que reduzem o cashback na prática

O percentual anunciado é o máximo. O que você recebe depende do regulamento do programa, que o emissor é obrigado a deixar disponível para consulta (Res. BCB 96/2021). Antes de pedir o cartão, procure no regulamento:

  • Teto mensal: um limite de cashback por mês muda a conta de quem gasta muito.
  • Compras que não contam: pagamento de contas e impostos, saques e algumas categorias podem ficar de fora.
  • Forma e prazo de resgate: crédito na fatura, saldo em conta ou aplicação; se há valor mínimo para resgatar e data de validade.
  • Cartões adicionais: se as compras dos adicionais somam no cashback do titular, o que pode mudar a conta da família; veja os riscos em cartão adicional.
  • Cancelamento e atraso: se o saldo acumulado se perde quando o cartão é cancelado ou a fatura atrasa.
  • Fim da isenção: se a anuidade é grátis só no começo, o emissor tem de avisar com pelo menos um mês de antecedência antes de começar a cobrar (Res. BCB 96/2021). É a hora de refazer a conta.

Cashback, pontos ou desconto no Pix

O cashback não é o único jeito de recuperar parte do que você gasta. A loja pode cobrar menos no Pix ou à vista (Lei 13.455/2017), e um desconto de 5% numa compra de R$ 1.000 vale R$ 50, cinco vezes o cashback de 1% sobre o mesmo valor. Pergunte o preço no Pix antes de passar o cartão; quando o desconto é maior que o cashback, o Pix ganha. O mesmo vale para quem pensa em parcelar: um cashback de 1% não cobre um desconto à vista de 5%, e a conta do juro embutido está em parcelado sem juros. Entre cashback e pontos, a comparação depende de quanto vale cada ponto no seu uso: a conta está em anuidade zero ou cartão com milhas, e as regras de validade, em programa de pontos.

O rotativo apaga o cashback

Suponha uma fatura de R$ 3.000 com 1% de cashback, ou R$ 30. Se você deixar R$ 1.000 no rotativo, com juros de 14% ao mês, taxa usada só como exemplo, paga R$ 140 de juros no mês seguinte, quase cinco meses de cashback de uma vez, sem contar o IOF. O benefício só existe para quem paga a fatura inteira. Se isso não está acontecendo, a prioridade é a dívida, e o funcionamento do rotativo e do parcelamento está em como funciona a fatura do cartão.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou análise de crédito. Condições, taxas e disponibilidade são definidas pela instituição financeira e podem mudar.