Cheque especial, rotativo ou empréstimo: qual é o mais caro
O rotativo do cartão é o mais caro dos três: a taxa não tem teto, e a única trava é que juros e encargos não podem passar do valor da dívida original. O cheque especial vem logo atrás, com juros limitados a 8% por mês desde 2020. O empréstimo pessoal costuma ser o mais barato dos três e ainda tem parcela fixa. Mas a modalidade é só metade da conta: o tempo que a dívida fica aberta pesa tanto quanto a taxa, como mostra o exemplo abaixo.
Quanto custa cada um, em reais
Suponha que faltem R$ 2.000 no mês e você só consiga devolver em seis meses. Para comparar, use taxas redondas de exemplo, próximas das cobradas no mercado: rotativo a 15% ao mês, parcelamento da fatura a 9% ao mês, cheque especial no teto de 8% ao mês, empréstimo pessoal a 6% ao mês e consignado a 2% ao mês. Os juros, sem contar o IOF, que incide em todos:
| Como você paga os R$ 2.000 (exemplo) | Parcela | Juros em seis meses |
|---|---|---|
| Cheque especial, deixando o saldo negativo parado | nenhuma | R$ 1.173,75 |
| Rotativo no primeiro mês e parcelamento da fatura em 5 vezes | R$ 591,31 | R$ 956,56 |
| Parcelamento da fatura em 6 vezes, logo no vencimento | R$ 445,84 | R$ 675,04 |
| Cheque especial, devolvendo o mesmo valor todo mês | R$ 432,63 | R$ 595,78 |
| Empréstimo pessoal em 6 parcelas | R$ 406,73 | R$ 440,35 |
| Consignado em 6 parcelas | R$ 357,05 | R$ 142,31 |
Duas lições saem da tabela. A primeira: o pior cenário não é o rotativo, é o cheque especial esquecido, porque os juros entram no saldo e passam a render juros. A segunda: um mês de rotativo antes de parcelar custou R$ 281,52 a mais que parcelar a fatura direto. Se você sabe que não vai pagar a fatura inteira, parcelar no vencimento sai mais barato que esperar.
As taxas reais mudam toda semana e variam muito de banco para banco. Os blocos abaixo mostram a menor taxa, a mediana e a maior da última semana publicada pelo Banco Central.
Cheque especial: teto de juros e tarifa que não existe mais
Desde 6 de janeiro de 2020, os juros do cheque especial de pessoa física e de MEI estão limitados a 8% por mês (Res. CMN 4.765/2019). A taxa que o Banco Central publica por instituição é o custo efetivo médio, com encargos, e por isso pode aparecer acima desse número:
- Menor taxa
- 2,18% ao mês
- Mediana do mercado
- 8,12% ao mês
- Maior taxa
- 10,31% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 27 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.
A mesma resolução tinha criado uma tarifa mensal sobre a parte do limite acima de R$ 500, mesmo sem uso. O Supremo Tribunal Federal declarou essa cobrança inconstitucional na ADI 6.407, e o CMN revogou o artigo em 2021. Hoje o banco não pode cobrar nada só por você ter limite. Se aparecer uma tarifa desse tipo no extrato, peça o estorno à ouvidoria.
Duas regras da mesma norma ajudam a se proteger: aumento de limite depende da sua autorização a cada oferta, e você pode pedir um limite menor (o banco não pode impor limite acima de R$ 500 a quem escolhe um limite mais baixo).
Rotativo do cartão: um mês e o teto de 100%
O rotativo é o que acontece quando você paga menos que o total da fatura. Ele só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte; depois disso, o banco tem de oferecer o parcelamento do saldo (Res. CMN 4.549/2017). Desde 3 de janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar de 100% do valor original da dívida (Lei 14.690/2023). Quem devia R$ 1.000 não pode pagar mais de R$ 2.000 no total.
- Menor taxa
- 4,49% ao mês
- Mediana do mercado
- 15,98% ao mês
- Maior taxa
- 25,00% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 62 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.
O teto protege de dívidas que cresciam sem limite, mas não deixa o rotativo barato: no exemplo acima, os juros ficaram longe do teto e ainda assim foram os segundos mais altos. Simule a sua fatura:
Rotativo ou parcelamento da fatura?
Não inclui IOF, multa nem juros de mora. O rotativo só pode ser usado até o vencimento seguinte; depois, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento. A Lei 14.690/2023 limita juros e encargos do rotativo e do parcelamento a 100% do valor original da dívida. Taxas sugeridas: mediana do mercado na semana encerrada em 23 de setembro de 2026, segundo o Banco Central. Troque pela do seu contrato.
O detalhe de como a fatura é calculada está em fatura do cartão: rotativo e parcelamento.
Empréstimo pessoal e consignado: mais baratos, se a parcela couber
O empréstimo pessoal é contratado com valor, prazo e parcela definidos. A taxa depende do seu perfil e varia muito entre instituições, então compare o Custo Efetivo Total (CET) de pelo menos duas propostas:
- Menor taxa
- 1,24% ao mês
- Mediana do mercado
- 6,32% ao mês
- Maior taxa
- 21,72% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 82 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.
O consignado, com parcela descontada direto do salário ou do benefício, costuma ter as menores taxas. Têm acesso aposentados e pensionistas do INSS, servidores públicos e, desde março de 2025, trabalhadores com carteira assinada, pelo Crédito do Trabalhador, contratado na Carteira de Trabalho Digital e que não depende de convênio entre a empresa e o banco. As diferenças entre os três tipos estão em consignado do INSS, privado ou de servidor.
Antes de trocar uma dívida por outra, confira se a parcela nova cabe no orçamento sem empurrar você de volta para o limite. O artigo quanto do salário comprometer com parcelas ajuda a fazer essa conta.
Como sair do cheque especial ou do rotativo
- Some o valor exato: saldo negativo da conta mais o que ficou em aberto na fatura, com os juros do mês.
- Considere a portabilidade: o saldo do cheque especial e, desde julho de 2024, o saldo da fatura do cartão podem ser levados para outra instituição que cobre menos, que vira um empréstimo com parcelas fixas. O banco atual não pode impedir nem cobrar. O passo a passo está em portabilidade de crédito.
- Ou contrate um crédito mais barato para quitar: empréstimo pessoal ou consignado, comparando pelo CET. Use o dinheiro no mesmo dia para zerar o saldo negativo e pagar a fatura.
- Feche a porta de volta: peça a redução do limite do cheque especial e do cartão. Sem isso, é comum terminar com o empréstimo novo e o limite usado de novo.
As taxas das sete modalidades acompanhadas pelo site, com as cinco instituições mais baratas da semana, estão em taxas de juros hoje.