Empréstimo pessoal: como comparar propostas sem se enganar com a taxa
Para comparar duas propostas de empréstimo pessoal, ponha lado a lado o Custo Efetivo Total (CET) e o total pago em reais, sempre para o mesmo valor recebido e o mesmo prazo. A taxa de juros anunciada deixa de fora o IOF, as tarifas e o seguro embutido, e é por isso que a proposta de taxa menor pode sair mais cara. O CET junta tudo numa taxa só, e a instituição tem de informá-lo antes da contratação, junto com um demonstrativo que mostra em reais quanto pesa cada item (Res. CMN 4.881/2020).
Um exemplo: a taxa menor que sai mais cara
Suponha que você precise receber R$ 5.000 e pagar em 12 meses, e tenha duas propostas: a A cobra juros de 4% ao mês e inclui um seguro prestamista de R$ 400, financiado junto; a B cobra 4,5% ao mês, sem seguro. Nas duas, o IOF de pessoa física (0,38% mais 0,0082% por dia, até 365 dias) também entra no valor financiado. As contas abaixo usam o mesmo método do simulador desta página.
| Exemplo: R$ 5.000 em 12 meses | Proposta A | Proposta B |
|---|---|---|
| Juros do contrato | 4% ao mês | 4,5% ao mês |
| Seguro prestamista | R$ 400 | não tem |
| IOF financiado | R$ 104,68 | R$ 105,37 |
| Valor financiado | R$ 5.504,68 | R$ 5.105,37 |
| Parcela | R$ 586,54 | R$ 559,89 |
| Total pago | R$ 7.038,42 | R$ 6.718,64 |
| CET | 5,70% ao mês (94,44% ao ano) | 4,87% ao mês (76,86% ao ano) |
A proposta com juros menores custa R$ 319,78 a mais no fim, porque o seguro de R$ 400 entra no saldo e também paga juros. No mesmo exemplo, se a proposta A for refeita sem o seguro, a parcela cai para R$ 543,91, o total para R$ 6.526,97 e o CET para 4,36% ao mês: aí ela passa a ser a melhor. É essa a pergunta que vale fazer ao vendedor: quanto fica sem o seguro?
Para refazer a conta com as suas propostas, ponha a taxa, o prazo e o valor de tarifas e seguros no simulador abaixo. O IOF que ele calcula é uma aproximação.
Simulador de empréstimo: parcela e custo efetivo
Considera tabela Price, parcelas mensais e IOF de pessoa física (0,38% mais 0,0082% ao dia, até 365 dias) e as tarifas financiados junto. O IOF é aproximado. Compare o CET, e não só a taxa de juros: é ele que mostra o custo real. Taxas sugeridas: mediana do mercado na semana encerrada em 23 de setembro de 2026, segundo o Banco Central. Troque pela do seu contrato.
O que conferir na simulação antes de aceitar
Simulação não é contrato, mas é nela que aparecem os detalhes que mudam o custo. Confira estes pontos em qualquer proposta:
- Valor liberado e valor financiado. Quando IOF, tarifa e seguro são financiados, o contrato fica maior que o dinheiro que cai na conta. Financiar o IOF é permitido (o STJ decidiu assim no Tema 621), e a instituição tem de cobrar sobre essas despesas a mesma taxa de juros do principal (Res. CMN 5.004/2022, art. 9º). O que você precisa ver é o valor que recebe e o total que paga.
- Seguro embutido. O seguro prestamista é opcional. O STJ firmou que o consumidor não pode ser obrigado a contratar seguro com o banco nem com a seguradora que ele indicar (Tema 972). Peça sempre a simulação sem ele.
- Tarifa de cadastro. Só pode ser cobrada no início do relacionamento com a instituição (Súmula 566 do STJ). Se você já é cliente, ela não deveria aparecer. A lista do que pode e do que não pode está no guia de tarifas no crédito.
- Carência. Primeira parcela para daqui a 90 dias parece folga, mas os juros dos meses a mais entram no saldo. Na proposta B do exemplo, empurrar o primeiro pagamento de 30 para 90 dias faz a parcela subir de R$ 559,89 para cerca de R$ 611, e o total pago sobe cerca de R$ 618.
- CET ao mês e ao ano. A norma do Conselho Monetário Nacional exige o CET em taxa anual; muitas simulações mostram também a mensal. Compare mensal com mensal ou anual com anual.
- Validade da oferta. O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 54-B incluído pela Lei 14.181/2021, obriga a informar na oferta o CET, a taxa mensal, o valor das parcelas e um prazo de validade de no mínimo 2 dias. Proposta que “só vale hoje” descumpre essa regra.
- Quitação antecipada. Cobrar tarifa para você quitar antes é proibido (Res. CMN 3.516/2007), e o desconto dos juros futuros usa a taxa do próprio contrato nas operações prefixadas (Res. CMN 5.004/2022, art. 7º). O passo a passo está em quitação antecipada.
Mesmo CET, prazos diferentes: o total é que muda
O CET é uma taxa, e taxa não mostra o efeito do prazo. Ainda na proposta B do exemplo, o CET quase não muda quando o prazo cresce (4,87% ao mês em 12 meses, 4,79% em 24 e 4,73% em 36), mas o total pago vai de R$ 6.718,64 para R$ 8.518,81 e depois para R$ 10.509,57. A parcela cai de R$ 559,89 para R$ 291,93, e você paga quase R$ 3.800 a mais por esse alívio.
Por isso a comparação justa tem duas partes: o CET, para saber qual proposta é mais barata no mesmo prazo, e o total em reais, para saber quanto o prazo escolhido custa. Como decidir o prazo em si está em prazo longo ou prazo curto.
A modalidade pesa mais que a negociação
A diferença de custo entre modalidades costuma ser bem maior do que qualquer desconto negociado dentro da mesma modalidade. Antes de pechinchar meio ponto, veja se você tem acesso a uma linha mais barata:
- Consignado. A parcela é descontada da folha ou do benefício. Existe para aposentados e pensionistas do INSS, para servidores e, desde 21 de março de 2025, para quem tem carteira assinada, pelo Crédito do Trabalhador: a contratação é feita na Carteira de Trabalho Digital, sem convênio entre a empresa e o banco (Lei 15.179/2025). As taxas variam bastante entre esses três públicos; o comparativo entre pessoal e consignado mostra quando cada um compensa.
- Com garantia de bem. Um veículo ou imóvel quitado reduz o risco do credor e a taxa. O risco passa para você: sem pagar, você pode perder o bem. Veja garantia de veículo e garantia de imóvel.
- Pessoal sem garantia. Depende só da análise de crédito e da renda, e por isso custa mais.
- Cheque especial e rotativo do cartão. São as linhas mais caras e servem, no máximo, para poucos dias. A comparação está em cheque especial, rotativo ou empréstimo.
Onde comparar sem depender do vendedor
O Banco Central publica toda semana as taxas de juros por instituição e por modalidade, já com encargos. Para o empréstimo pessoal sem consignação, o quadro abaixo traz a menor taxa, a mediana e a maior entre as instituições na última semana publicada:
- Menor taxa
- 1,24% ao mês
- Mediana do mercado
- 6,32% ao mês
- Maior taxa
- 21,72% ao mês
Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 82 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.
Se a proposta que você recebeu está acima da mediana, você tem um número concreto para pedir redução ou procurar outra instituição. As demais modalidades estão na página taxas de juros hoje.
Antes de assinar, confira se a empresa é autorizada a funcionar: procure o CNPJ do contrato na consulta de instituições do Banco Central. E desconfie de quem se recusa a mostrar o demonstrativo do CET, não deixa você ler o contrato com calma ou pede pagamento antes de liberar o dinheiro; esse último caso é o padrão descrito no guia de golpes de empréstimo, que vale ler antes de responder a uma oferta recebida por mensagem.