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Empréstimos

Empréstimo pessoal ou consignado: qual sai mais barato

Imagem ilustrativa do artigo: Empréstimo pessoal ou consignado: qual sai mais barato

Entre um empréstimo pessoal e um consignado, a resposta rápida é que o consignado custa menos. A resposta útil é mais longa, porque a taxa é só uma das dimensões que separam os dois, e nas outras a vantagem nem sempre está do mesmo lado.

Empréstimo pessoal ou consignado: as diferenças

Para entender a fundo qual é a melhor opção para você, o primeiro passo é ver as características de cada um lado a lado. A principal diferença está na garantia que o banco tem de que vai receber o dinheiro de volta.

Crédito pessoal ou consignado

CritérioCrédito PessoalCrédito ConsignadoRecomendado
GarantiaNenhuma, apenas a análise de créditoDesconto automático do salário ou benefício
Taxa de jurosMais alta, devido ao maior riscoMais baixa, pela garantia de pagamento
Quem pode pedirQualquer pessoa com nome limpo e renda comprovadaAposentados, pensionistas do INSS, servidores públicos e funcionários de empresas privadas com convênio
FlexibilidadeMaior. Permite renegociar ou atrasar o pagamento (com multa)Nenhuma. O desconto é automático e não pode ser adiado
Limite de valorDepende da análise de crédito e da renda do clienteLimitado pela margem consignável (um percentual da sua renda)
Prazo de pagamentoGeralmente mais curto, entre 12 e 48 mesesPode ser bem mais longo, chegando a 84 ou 96 meses
BurocraciaAnálise de crédito pode ser rápidaExige a averbação do contrato, um processo que pode levar alguns dias

Empréstimo pessoal x consignado

CritérioEmpréstimo pessoalConsignadoRecomendado
Quem pode contratarQualquer pessoa com renda comprovadaAposentado, pensionista, servidor ou CLT elegível
Como é pagoBoleto ou débito em contaDesconto direto na folha ou no benefício
Nível de taxaMais alto do mercado entre as opções planejadasEntre os mais baixos do crédito ao consumidor
Limite de valorDefinido pela análise de créditoLimitado pela margem consignável
Prazo típicoMais curtoMais longo
Se o CPF está restritoCostuma inviabilizarCostuma não impedir
Risco de inadimplênciaAlto — depende de você pagarBaixo — o desconto é automático
Risco para vocêDívida vira restriçãoRenda mensal comprometida por anos

A margem consignável é definida em lei e mudou várias vezes; confirme a vigente.

Por que o consignado custa menos?

Não é generosidade do banco: é cálculo de risco. Quando a parcela do seu empréstimo é descontada diretamente do seu salário ou benefício, antes mesmo de o dinheiro chegar à sua conta, a chance de você não pagar (inadimplência) despenca. Com essa segurança, o credor consegue oferecer juros menores. A mesma lógica explica por que o cheque especial e o rotativo do cartão são tão caros: ali, não há garantia nenhuma de pagamento para a instituição financeira.

O mecanismo da averbação

O que torna o consignado tão seguro para o banco é um processo chamado averbação. Funciona assim: ao assinar o contrato, você autoriza que a sua fonte pagadora (o INSS, o órgão público ou a empresa onde você trabalha) reserve uma parte da sua renda e a repasse diretamente para a instituição financeira. Essa autorização é registrada formalmente. Depois de averbado, o desconto é automático e obrigatório até o fim do contrato. É essa trava que garante o pagamento e, por consequência, permite juros mais baixos.

As desvantagens do consignado

A taxa menor é atraente, mas o consignado tem pontos negativos importantes que podem torná-lo a escolha errada em várias situações.

Falta de flexibilidade

O desconto em folha é automático e não negocia com um mês ruim. Se sua renda oscila, ou se você tem uma emergência e precisa do valor integral do seu salário, o consignado não oferece saída. A parcela será descontada de qualquer forma. No empréstimo pessoal, embora os juros sejam maiores, você tem mais controle sobre o pagamento. Em um aperto, pode usar uma reserva para pagar a parcela ou até mesmo negociar com o banco, ainda que pague multas por isso.

Custo total no longo prazo

Uma taxa de juros baixa diluída em um prazo muito longo pode resultar em um custo final maior. Por exemplo, um empréstimo consignado em 84 meses (7 anos) pode ter um valor total pago superior ao de um empréstimo pessoal em 24 meses, mesmo que a taxa do pessoal seja mais alta. Por isso, nunca compare apenas o percentual dos juros. Compare sempre o Custo Efetivo Total (CET), que inclui todas as taxas, seguros e encargos da operação. Veja as taxas médias de cada modalidade:

Menor taxa
1,24% ao mês
Mediana do mercado
6,32% ao mês
Maior taxa
21,72% ao mês

Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 82 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.

Menor taxa
1,49% ao mês
Mediana do mercado
1,78% ao mês
Maior taxa
1,88% ao mês

Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 36 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.

A comparação do CET é a única forma justa de saber qual operação é mais barata.

Uso da margem consignável e o risco da demissão

A margem consignável é o percentual máximo da sua renda que pode ser comprometido com as parcelas de um ou mais empréstimos consignados. Comprometer toda a sua margem com um único empréstimo remove sua principal reserva de crédito barato. Se uma emergência acontecer, você pode ter que recorrer a linhas muito mais caras.

Para funcionários de empresas privadas (CLT), há um risco adicional: a demissão. Se você for demitido, a garantia do empréstimo (seu salário) desaparece. Nesse caso, o contrato geralmente prevê que a dívida se transforme em um empréstimo pessoal comum. As taxas de juros sobem drasticamente, e o que era uma dívida barata se torna um grande problema financeiro.

Como escolher o empréstimo certo para você

Com as informações em mãos, siga estes passos para tomar uma decisão consciente:

  1. Verifique sua elegibilidade: O consignado é restrito a grupos específicos: aposentados e pensionistas do INSS, servidores públicos (federais, estaduais e municipais), militares das Forças Armadas e funcionários de empresas privadas que tenham convênio com bancos. Se você não pertence a nenhum desses grupos, sua única opção é o empréstimo pessoal.
  2. Peça o CET dos dois: Sempre que for simular, peça o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Compare o CET de um empréstimo pessoal e de um consignado para o mesmo valor e no mesmo prazo. Comparar um consignado de 60 meses com um pessoal de 18 não informa nada.
  3. Calcule o valor total pago: Multiplique o valor da parcela pelo número de meses. Este cálculo simples mostra, em reais, quanto o empréstimo custará no final. Às vezes, uma parcela menor em um prazo maior esconde um custo total muito mais alto.
  4. Analise sua margem consignável: Se for elegível ao consignado, veja quanto da sua margem o empréstimo vai consumir. O ideal é sempre deixar uma folga para emergências. Comprometer 100% da margem é arriscado.
  5. Recuse vendas casadas: Fique atento à oferta de seguros, como o seguro prestamista, apresentados como obrigatórios. Na maioria das vezes, eles são opcionais e servem apenas para encarecer o seu empréstimo. Questione tudo o que não estiver claro no contrato.

Quando trocar uma dívida é melhor que pegar um empréstimo

Se o seu problema é uma dívida cara que não para de crescer, como o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial, pegar um empréstimo para quitar esse débito pode ser a melhor decisão. Isso não é pegar mais dinheiro, mas sim trocar uma dívida com juros altíssimos por uma com juros muito mais baixos.

As taxas do cheque especial e do rotativo estão entre as mais altas do mercado. Veja a diferença:

Menor taxa
4,49% ao mês
Mediana do mercado
15,98% ao mês
Maior taxa
25,00% ao mês

Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 62 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.

Menor taxa
2,18% ao mês
Mediana do mercado
8,12% ao mês
Maior taxa
10,31% ao mês

Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 27 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.

Nesses casos, um empréstimo pessoal ou consignado, mesmo com suas próprias desvantagens, representa uma economia enorme e pode ser o caminho para reorganizar sua vida financeira.

Para comparar as taxas das duas modalidades nesta semana, veja taxas de juros hoje.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou análise de crédito. Condições, taxas e disponibilidade são definidas pela instituição financeira e podem mudar.