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Empréstimos

Taxa de empréstimo alta: o número do contrato que revela o custo

Imagem ilustrativa do artigo: Como saber se a taxa do seu empréstimo está acima da média

Para saber se a taxa do seu empréstimo está alta, pegue o custo efetivo mensal do contrato (o CET, não só a taxa de juros) e compare com o que as instituições cobraram na mesma modalidade, no relatório de taxas de juros do Banco Central. Se o seu CET está acima da mediana, metade do mercado cobra menos que você; se está perto da maior taxa da semana, você está entre os contratos mais caros e vale procurar a portabilidade. Abaixo, o passo a passo com um exemplo em reais.

Passo 1: ache o custo efetivo do seu contrato

O contrato e a proposta têm de informar o Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, IOF, tarifas e seguros, em taxa mensal e anual. É ele que se compara com o Banco Central, porque as taxas publicadas por instituição já incluem os encargos.

Se você não acha o CET ou quer conferir, dá para calcular. Na Calculadora do Cidadão, do Banco Central, escolha “Financiamento com prestações fixas”, preencha o número de meses, o valor da prestação e, como valor financiado, o que de fato caiu na sua conta, e deixe a taxa em branco. A taxa que sai é o custo efetivo mensal.

Um exemplo: você recebeu R$ 5.000 e paga 24 parcelas de R$ 440. A conta dá cerca de 7,11% ao mês, ou 127,9% ao ano, no exemplo. Repare que a taxa anual não é a mensal vezes 12: com juros compostos, 7,11% ao mês viram bem mais que 85% ao ano.

Para propostas novas, o simulador abaixo faz o caminho inverso: com valor, taxa, prazo e tarifas, mostra parcela, IOF e CET.

Simulador de empréstimo: parcela e custo efetivo

Parcela 
IOF estimado 
Total pago 
Custo Efetivo Total (CET) 

Considera tabela Price, parcelas mensais e IOF de pessoa física (0,38% mais 0,0082% ao dia, até 365 dias) e as tarifas financiados junto. O IOF é aproximado. Compare o CET, e não só a taxa de juros: é ele que mostra o custo real. Taxas sugeridas: mediana do mercado na semana encerrada em 23 de setembro de 2026, segundo o Banco Central. Troque pela do seu contrato.

Passo 2: compare com a faixa da semana

No relatório de taxas de juros do Banco Central, escolha pessoa física e a modalidade exata do seu contrato. Os nomes no relatório são estes:

  • Crédito pessoal não consignado;
  • Crédito pessoal consignado INSS, consignado privado (carteira assinada) ou consignado público (servidor);
  • Aquisição de veículos (financiamento de carro ou moto);
  • Cheque especial; cartão de crédito, rotativo total ou parcelado.

Cada linha mostra a taxa média que uma instituição praticou nas operações contratadas num período de cinco dias úteis, ao mês e ao ano, com encargos. Os dados saem com algumas semanas de atraso: no começo de outubro de 2026, a semana mais recente publicada era a de 14 a 18 de setembro. O site resume essa tabela em blocos com a menor taxa, a mediana e a maior da semana. Para o crédito pessoal:

Menor taxa
1,24% ao mês
Mediana do mercado
6,32% ao mês
Maior taxa
21,72% ao mês

Fonte: Banco Central do Brasil: taxas médias praticadas por 82 instituições, semana encerrada em 23 de setembro de 2026. Uma instituição informou taxa abaixo de um décimo da mediana e ficou fora da menor taxa: é um valor fora da curva, que não representa o mercado. Os valores mudam toda semana; confirme no canal oficial antes de contratar.

As outras modalidades, com as cinco instituições mais baratas da semana, estão em taxas de juros hoje.

Agora volte ao exemplo e suponha que a mediana da semana no crédito pessoal seja de 6% ao mês (valor de exemplo; o número real está no bloco acima). Com 7,11% ao mês, você paga mais que a instituição do meio da fila: há várias oferecendo menos. Duas perguntas diferentes, duas comparações diferentes:

  • Fiz um mau negócio na época? Compare com o período em que você assinou, que o relatório também permite consultar.
  • Vale trocar agora? Compare com a semana mais recente, porque é com ela que você vai negociar.

Uma diferença pequena para a mediana é normal: cada instituição precifica pelo perfil de quem pede (renda, histórico, garantia, prazo). Desconfie quando o seu CET está perto da maior taxa da semana ou bem acima de onde fica a maioria.

Acima da mediana não quer dizer ilegal

Taxa alta não é o mesmo que taxa abusiva. Para o Superior Tribunal de Justiça, juros elevados, por si sós, não indicam abusividade (Súmula 382), e a revisão judicial dos juros só é admitida em situações excepcionais, quando a abusividade fica cabalmente demonstrada no caso concreto (Tema 27 dos recursos repetitivos). Na prática, estar acima da mediana é motivo para negociar ou trocar de banco, não base suficiente para uma ação revisional.

O que é ilegal é outra coisa: cobrar tarifa que não está prevista nas regras, embutir seguro que você não pediu ou esconder o CET. Nesses casos há direito a reclamar, e o artigo tarifas que o banco pode cobrar no crédito mostra o que pode e o que não pode.

Passo 3: se a taxa está alta, troque ou negocie

No exemplo, depois de 6 parcelas pagas, o saldo devedor é de R$ 4.392,41, com 18 parcelas restantes. Uma proposta de portabilidade a 5% ao mês, também como exemplo, derrubaria a parcela de R$ 440 para R$ 375,75: economia de R$ 1.156,42 até o fim. A 6% ao mês, a economia seria de R$ 617,97.

Na portabilidade, o banco novo quita o saldo direto com o atual, sem custo para você, e o prazo e o valor não podem aumentar. O banco atual pode fazer uma contraproposta: leve a oferta por escrito e pergunte se ele cobre o CET. O passo a passo, com os prazos da norma, está em portabilidade de crédito. Se o objetivo é contratar um empréstimo novo, e não trocar um que já existe, compare as propostas como explica como comparar propostas pelo CET.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou análise de crédito. Condições, taxas e disponibilidade são definidas pela instituição financeira e podem mudar.