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Score e negativação

Score de crédito: como funciona e o que realmente aumenta

Casal sentado no sofá olha o celular juntos e sorri

O score é uma pontuação que cada birô de crédito calcula para estimar a chance de você pagar as contas em dia nos próximos meses; na Serasa, ele vai de 0 a 1.000. O que realmente aumenta o número é pagar em dia o que está no seu CPF, ter tempo de relacionamento com crédito e não ter dívidas negativadas: na Serasa, que publica os pesos, esses três fatores somam 74% da nota. Consultar o próprio score não derruba nada, e regras como “use menos de 30% do limite” ou “não cancele o cartão mais antigo” vêm do modelo americano e não aparecem entre os fatores que os birôs brasileiros divulgam.

Os pesos que a Serasa divulga

Cada birô (Serasa, Boa Vista, SPC Brasil, Quod) tem um modelo próprio, e por isso o mesmo CPF pode ter notas diferentes em cada um. A Serasa publica a divisão dos fatores na página do Serasa Score. Em outubro de 2026, a tabela era esta:

Fator Peso O que entra
Pagamentos 29% Faturas de cartão, parcelas e contas pagas em dia
Experiência 24% Tempo de relacionamento com o mercado de crédito e pontualidade ao longo dele
Dívidas negativadas 21% Dívidas no cadastro de inadimplentes e o tempo desde a quitação
Busca por crédito 12% Quantas vezes empresas consultaram seu CPF para conceder crédito
Dados pessoais 8% Informações como idade e participação em empresas
Contratos 6% Quantidade e duração dos contratos ativos no seu nome

Repare no que não está na lista: a fatia do limite do cartão que você usa no mês. Não há fonte brasileira para a regra dos 30% do limite nem para a ideia de pagar parte da fatura antes do fechamento para “reportar” um saldo menor. As contas de consumo, por outro lado, contam: a Serasa diz que luz e telefone pagos em dia entram no cálculo, porque essas empresas também alimentam o Cadastro Positivo.

Pela própria escala da Serasa, acima de 700 pontos o risco é considerado muito baixo e de 501 a 700, baixo. Variações de até 100 pontos dentro da mesma faixa são tratadas como normais, porque o risco estimado não muda.

Nome sujo e score baixo não são a mesma coisa

Estar negativado é ter uma dívida vencida registrada num cadastro de inadimplentes. Para isso, o credor pede a inclusão, você tem de ser avisado por escrito antes (Código de Defesa do Consumidor, art. 43, §2º) e o registro pode ficar no máximo cinco anos. O score é um cálculo que usa esse registro como um dos insumos, ao lado de muitos outros.

Por isso dá para ter score baixo sem nenhuma dívida: quem nunca teve cartão ou financiamento no próprio nome, quem pediu para sair do Cadastro Positivo ou quem fez vários pedidos de crédito em poucas semanas tem pouca informação boa para o modelo usar. Já a negativação pesa de dois jeitos: entra no cálculo (é o fator de 21% na Serasa) e, em muitas análises de crédito, basta sozinha para o pedido ser recusado, antes de alguém olhar o número.

Nome sujo ou score baixo

CritérioNome sujoScore baixo
O que éRegistro de dívida vencida num cadastro de inadimplentesPontuação estatística de risco calculada por cada birô
Quem provocaO credor pede a inclusão e você precisa ser avisado antesO modelo do birô, com dados de pagamentos, consultas e cadastro
Quanto duraNo máximo cinco anos (CDC, art. 43)Muda sempre que os dados mudam
Como resolverPagar, negociar ou contestar se for indevidoPagar em dia e acumular histórico
Depois de resolverCredor tem 5 dias úteis da quitação para pedir a baixaPode subir em dias ou demorar, sem prazo garantido

Quanto tempo o score leva para subir depois de pagar uma dívida

São dois relógios. O primeiro é o da baixa: pela Súmula 548 do STJ, o credor tem cinco dias úteis, contados do pagamento integral, para pedir a exclusão do registro. Em acordo parcelado, quem define quando a baixa sai é o próprio acordo. Muitos credores pedem a exclusão depois da primeira parcela, mas isso precisa estar escrito no termo, porque a súmula fala em pagamento.

O segundo relógio é o do cálculo. O score é recalculado com as informações disponíveis no momento da consulta, então não existe um dia do mês em que ele “atualiza”. A Serasa informa que, quando um acordo de dívida negativada é pago via Pix no Serasa Limpa Nome, a pontuação pode subir na hora. Pago por outro canal, o efeito depende de o credor comunicar a quitação e dos demais fatores, e ninguém consegue garantir um prazo. Em qualquer birô, a dívida só deixa de pesar como negativada depois que o credor informa a baixa.

Pagar com desconto não aparece como penalidade nos fatores publicados: o que a Serasa considera é a existência da dívida negativada e o tempo desde a quitação. O atraso, esse sim, fica registrado em outros lugares. O credor guarda o histórico interno, e, se o banco chegou a lançar a dívida como prejuízo, isso consta no sistema de crédito do Banco Central, que você pode ver no Registrato. É por isso que o mesmo banco pode continuar negando crédito mesmo com o nome limpo.

Exemplo: qual dívida pagar primeiro quando o objetivo é o score

Suponha R$ 1.200 disponíveis e quatro dívidas negativadas: R$ 350 numa loja, R$ 420 com a operadora de celular, R$ 380 de uma conta de luz e R$ 3.500 do cartão. Quitar as três menores custa R$ 1.150, sobra R$ 50 e tira três das quatro negativações. Usar os R$ 1.200 como entrada no acordo do cartão tira, no máximo, uma. A Serasa orienta exatamente isso para quem tem mais de três negativações: quanto menos dívidas negativadas, maior a chance de a pontuação subir. Se o seu objetivo for gastar menos com juros, a conta é outra, e o passo a passo para limpar o nome mostra como comparar.

O que funciona, em ordem de peso

  1. Pagar em dia tudo o que está no seu nome. Fatura, parcela, luz, telefone. É o fator de maior peso, e débito automático ou lembrete no dia do vencimento evita o atraso por esquecimento.
  2. Quitar ou negociar as negativadas. Elas valem 21% na Serasa.
  3. Ficar no Cadastro Positivo. A inclusão é automática desde a Lei Complementar 166/2019. Não existe “ativar”; se você pediu para sair, pode pedir a reabertura a qualquer birô, de graça.
  4. Espaçar os pedidos de crédito. Cada consulta de uma empresa conta no fator de busca, que pesa 12%. Peça quando for usar, e não para testar se aprova.
  5. Manter os dados cadastrais certos. Peso pequeno (8%), custo zero.
  6. Conectar contas pelo Open Finance, se quiser. A Serasa diz que quanto mais contas conectadas, maior a chance de aumento, independentemente do saldo. É opcional e significa compartilhar dados de movimentação: decida pesando a privacidade.

O que não muda nada

  • Consultar o próprio score. A Lei 12.414/2011 proíbe usar no cálculo o fato de você acessar seus próprios dados. Pode consultar quantas vezes quiser.
  • Pagar serviço que promete subir a pontuação. A Serasa afirma que todas as formas de aumentar o Serasa Score são gratuitas, e ninguém de fora controla o modelo.
  • Manter cartão antigo só pelo score. O histórico de pagamentos fica no Cadastro Positivo por até 15 anos, mesmo depois que o contrato acaba, e o fator de contratos ativos pesa 6% na Serasa. Se a anuidade pesa no bolso, decida pelo custo.
  • Fazer dívida para “criar histórico”. Pagar juros sem precisar não compensa, e um atraso nessa dívida faz o efeito contrário.
  • Esperar a negativação sumir sozinha. Ela sai em no máximo cinco anos, mas a dívida não deixa de existir, e são cinco anos com a restrição pesando em toda análise. Entenda o que muda nesse prazo em prescrição de dívida.

Se o score está bom e o pedido mesmo assim foi recusado, o motivo costuma estar fora dele: renda, parcelas já comprometidas ou a política interna da instituição. Os motivos mais comuns estão em empréstimo negado: por que acontece.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação, oferta ou análise de crédito. Condições, taxas e disponibilidade são definidas pela instituição financeira e podem mudar.